Aceitando a vulnerabilidade

Aceitando a vulnerabilidade

O risco existe sob várias formas. Às vezes, o risco está em um novo empreendimento ou projeto no trabalho. Às vezes está nas relações – ao iniciar um novo relacionamento ou contar a verdade a alguém próximo. Mas há um elemento comum a todas as formas de risco: eles nascem da vulnerabilidade.  É o que nos lembra o trecho a seguir, do excelente livro de Brené Brown (GLS 2013,2015): “A coragem de ser imperfeito”. 

A percepção de que vulnerabilidade é “fraqueza”, é o mito mais amplamente aceito sobre vulnerabilidade – e o mais perigoso. Quando passamos a vida afastando-nos e protegendo-nos de nos sentirmos vulneráveis ​​ou de sermos percebidos como emotivos demais, sentimos desprezo quando os outros são menos capazes ou dispostos a mascarar sentimentos, engolindo-os e passando por cima deles. Chegamos ao ponto em que, em vez de respeitar e apreciar a coragem e a ousadia por trás da vulnerabilidade, deixamos nosso medo e desconforto se transformarem em julgamentos e críticas. 

vulnerabilidade não é boa ou ruim

A vulnerabilidade não é boa ou ruim: não é o que chamamos de emoção pesadamas também não é uma experiência sempre leve e positiva. A vulnerabilidade é o núcleo de todas as emoções e sentimentos. Sentir é ser vulnerável. Acreditar que a vulnerabilidade é fraqueza é acreditar que esse sentimento é fraco. Aprisionar nossa vida emocional, com medo de que os custos sejam altos demais, é afastar-se justamente daquilo que dá propósito e significado à vida. 

Nossa rejeição à vulnerabilidade geralmente resulta de sua associação a emoções pesadas como medo, vergonha, tristeza e decepção – emoções que não queremos discutir, mesmo quando afetam profundamente a maneira como vivemos, amamos, trabalhamos e até lideramos. O que muitos de nós não conseguem entender, e o que me custou uma década de pesquisas para aprender, é que a vulnerabilidade também é a base das emoções e experiências que desejamos. Queremos vidas espirituais mais profundas e mais significativas: a vulnerabilidade é o berço do amor, pertencimento, alegria, coragem e criatividade. É a fonte de esperança, empatia, responsabilidade e autenticidade. Se queremos maior clareza em nosso propósito, ou vidas espirituais mais profundas ou mais significativas, a vulnerabilidade é o caminho. 

O que é vulnerabilidade

Eu sei que é difícil de acreditar, especialmente quando passamos a vida inteira pensando que vulnerabilidade e fraqueza são sinônimos, mas é verdade. Defino vulnerabilidade como incerteza, risco e exposição emocional. Com essa definição em mente, vamos pensar no amor: acordar todos os dias e amar alguém que pode ou não, nos amar de volta, cuja segurança não podemos garantir, que pode permanecer em nossas vidas ou sair sem aviso prévio, que podem ser leais até dia de sua morte ou nos traírem amanhã isso é vulnerabilidade. O amor é incerto. É incrivelmente arriscado. E amar alguém nos deixa emocionalmente expostos. Sim, é assustador e sim, estamos sujeitos a sermos machucados, mas você pode imaginar sua vida sem amar ou ser amado? 

Colocar nossa arte, nossos textos, nossas fotografias e nossas ideias no mundo sem garantia de aceitação ou apreciação – isso também é vulnerabilidade. Ficarmos imersos nos momentos alegres de nossas vidas, mesmo sabendo que eles são passageiros, mesmo com o mundo nos dizendo para não ficarmos tão felizes, atraindo o azar – essa é uma forma intensa de vulnerabilidade. 

Aproprie-se da vulnerabilidade

grande perigo é que, como mencionado antestendemos a pensar que sentir é uma fraqueza. Com exceção da raiva (uma emoção secundária – que serve apenas como uma máscara socialmente aceitável para muitas das emoções encobertas mais difíceis que sentimos), estamos perdendo nossa tolerância pela emoção e, portanto, pela vulnerabilidade. 

Só conseguimos desassociar vulnerabilidade de fraqueza quando percebemos que estamos confundindo sentimentos com falhas e emoções com responsabilidades. Se queremos recuperar a parte emocional essencial de nossas vidas e reacender nossa paixão e nossos propósitos, temos que aprender a nos apropriarmos e nos envolvermos com nossa vulnerabilidade, e como sentir as emoções que a acompanham. Para alguns de nós, é um novo aprendizado e, para outros, um re-aprendizado. De qualquer forma, a pesquisa me ensinou que o melhor lugar para começar é definir, reconhecer e entender a vulnerabilidade.


Texto original em GLN

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