A arte de planejar

 

Planejamento estratégico é coisa do diabo? O planejamento engessa o Espírito Santo? Que tipo de igrejas crescem mais, as que planejam ou as que são dirigidas pelo fluir do Espírito? Tenho me deparado com estas perguntas, dando consultoria em planejamento e estratégia para igrejas. É interessante observar que em Atos 6 os apóstolos tinham um problema concreto. Eles estavam se concentrando na pregação da Palavra, mas as viúvas não estavam sendo atendidas. Eles tiveram que parar, pensar e decidir o que fazer.

Decidiram então permanecer no “foco” da pregação e oração, mas não ignoraram o “problema” existente. Tomaram a “decisão” de escolher alguns homens para solucionar o problema, para que pudessem continuar no “plano” original. Esta é uma típica questão de planejamento, envolvendo “foco”, “problema”, “decisão”, “plano”, “resultado”.

A questão espiritual aqui era orar para escolher as pessoas certas e ter a sabedoria do Espírito para tomar as decisões

Já em Atos capítulos 8, 9, 11 e 13, havia uma situação de perseguição, expansão do evangelho e envio de missionários para o mundo. A igreja primitiva cresceu, mas não decidia enviar seus membros como missionários. Deus teve que usar Saulo como um perseguidor da igreja, espalhar todo mundo, depois converter o próprio Saulo, transformá-lo num missionário e convencer a igreja a enviá-lo como Paulo para o campo. Nenhum planejamento estratégico poderia prever isto. De outro lado, nem a igreja primitiva ou nenhuma igreja da atualidade, colocaria em seu planejamento estratégico que ao atingir 10 mil membros, iria deixar apenas os pastores na sede e enviar todos os membros como missionários para o mundo.

Assim, deduzo que existem coisas que Deus delegou para nós desde a criação do mundo, que se não fizermos, estaremos perdendo a oportunidade de nos juntar a Deus naquilo para o qual ele nos capacitou. De outro lado, tem uma porção de coisas que o Espírito Santo fará na igreja, que nenhum planejamento é capaz de prever e nenhuma regra de administração é capaz de explicar. Quando conseguirmos entender este equilíbrio entre planejamento e ação do Espírito Santo, teremos entendido o que é planejamento na igreja de Jesus.

Sem planejamento a vida pode ir para qualquer lado que estaremos satisfeitos. Sem planejamento a igreja pode atingir qualquer alvo ou não atingir alvo nenhum e também estará satisfeita. A falta de planejamento atrai a mesmice e o conformismo e gera a estagnação. Uma pessoa ou uma organização podem viver 30 anos do mesmo jeito sem estar incomodados. A ordem de Deus quando colocou o ser humano no mundo não era para estagnação, mas para crescimento. Também não era para conformismo mas para administração. Para crescer, multiplicar e cuidar do mundo que Deus nos confiou é preciso planejar. Para alcançar as pessoas e administrar a Igreja que Jesus nos confiou é preciso planejar, do contrário seremos mordomos infiéis.

A missão e a visão são o carro-chefe de um planejamento. É o lugar onde se deseja chegar e o que precisa ser feito nos próximos anos para se chegar lá. Sem isto, objetivos e planos de ação serão como blocos de gelo soltos flutuando no oceano de um lado para o outro e se derretendo. Uma Igreja deve perguntar para Deus o que Ele deseja fazer através dela nos próximos anos e no lugar onde ela está. A visão da Igreja não pode estar dissociada de pessoas, afinal foi para isto que Jesus a criou. Depois disto vem os planos de ação, que são a forma como a missão e a visão serão concretizadas.

É como tirar férias. Você sonha em tirar férias com sua família em Fortaleza. Depois disto definido, é preciso criar planos para tornar o sonho real. Quando irão, qual o meio de transporte, custo, local de hospedagem, passeios, etc. Feito isto você começa a poupar e programa a viagem para daqui um ano. Só assim um sonho ou visão se tornam reais. Na Igreja não é diferente.

Quando dizemos que todas as igrejas tem a mesma missão, isto é fato. Entretanto, muitas igrejas estão preocupadas em manter aquilo que sempre fizeram. Elas não contextualizam e nem criam um jeito diferente de fazer aquilo para o qual existem. Uma igreja precisa tomar aquilo que Jesus nos deixou como missão, e contextualizar para esta geração. A falta de reflexão na contextualização da missão leva à superficialidade. A superficialidade da missão leva à superficialidade dos planos. Todos os hospitais tem a mesma missão, mas em alguns deles nós não queremos nem entrar. Assim é também com a igreja. Todas elas tem a mesma missão, mas algumas decidiram refletir e contextualizar sua missão. Elas entenderam oque Jesus disse há dois mil anos, mas buscaram a ajuda do Espírito Santo para conseguir causar um impacto no século 21.

Em algumas Igrejas há falta de visão para se planejar, mas creio que na grande maioria há falta de habilidade do pastor. Em média 70% dos pastores não tem dom de administração. Eles tem um coração e uma visão gigantes, mas não conseguem colocar isto em prática. Por falta de planejamento os sonhos vão morrendo e eles entram na mesmice. Creio que em cada igreja tem pelo menos uma pessoa com o dom de administração e em alguns casos, gente com muita experiência nesta área. Eu sugeriria aos pastores que convidassem esta pessoa para caminhar ao seu lado, e ajudá-lo a colocar a visão no papel, montar uma equipe e criar um plano e depois ajudá-lo na execução. No entanto, os pastores não podem ter medo de que vão perder sua autoridade ou demonstrar sua inabilidade numa área. Coragem não é parecer que você sabe tudo. Coragem é reconhecer que não é bom em todas as áreas e chamar gente melhor do que você nas áreas em que você não é bom para compor sua equipe e te ajudar a realizar uma visão.

Muita gente confunde planejamento com elaboração de calendário. O calendário é apenas um item do planejamento. Um planejamento também depende de um bom plano de execução, uma equipe de execução e acompanhamento do dia a dia, orçamento, avaliação e correção de rota. Planejamento é uma ferramenta dinâmica, que não se encerra quando se chega a um documento escrito dos planos para os próximos anos da igreja. A dinâmica do planejamento implica em executar, avaliar, corrigir a rota, tudo através de uma equipe de execução comprometida com a visão.

Para tornar tudo pratico, primeiro sonhe e pergunte a Deus o que ele quer fazer através de você e a igreja que ele lhe confiou. Depois, coloque no papel. Encontre uma equipe que ajude a criar um plano, sistematizar e transformar as ideias em algo executável. Em seguida, reforce este time com gente disposta a executar cada uma das partes do planos. Treine, treine e treine gente. Delegue, delegue e delegue. Se o pastor e alguns líderes simplesmente obedecessem Efésios 4 a Igreja já seria bem diferente. Deus deu apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, para capacitarem os santos, para que eles trabalhem e a igreja cresça. Se a igreja não cresce é porque talvez os santos não estão trabalhando. Se os santos não estão trabalhando é porque talvez não estão sendo capacitados. Se não estão sendo capacitados é porque os pastores e líderes não estão exercendo seu papel. Então, sonhem, planejem, treinem e deleguem. Sua igreja será bem melhor assim.

 

 

 

Veja também: Relacionamento Interpessoal e O sábio que pediu conselhos.

There are 2 comments
  1. Lucas Griffith

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  2. Geoffrey Weaver

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